Carros elétricos: o choque da realidade

Publicado Terça, 24 Abril 2018 18:39
No Brasil: Nissan anunciou que vai lançar no ano que vem no Brasil o Leaf totalmente elétrico (trata-se do carro elétrico mais vendido no mundo atualmente) e que a bateria terá garantia total por oito anos © Foto: Divulgação/cedida Nissan No Brasil: Nissan anunciou que vai lançar no ano que vem no Brasil o Leaf totalmente elétrico (trata-se do carro elétrico mais vendido no mundo atualmente) e que a bateria terá garantia total por oito anos © Foto: Divulgação/cedida Nissan

Polêmico, os veículos elétricos e híbridos estão ganhando cada vez mais espaço em cidades importantes do mundo, mas no Brasil o projeto apenas engatinha e num ritmo bem lento.

O carro elétrico está na pauta do dia da indústria automotiva mundial e tem sido um dos temas principais em debates, seminários e discussões sobre o futuro do automóvel no planeta. E o assunto é bastante polêmico, com argumentos que exigem uma reflexão mais profunda tanto do lado daqueles que defendem, quanto do lado dos que criticam. De qualquer forma, os carros elétricos e híbridos estão ganhando cada vez mais espaço em cidades importantes do mundo, como Paris, Londres, Munique, entre outras. Segundo estudo recente da Fundação Getúlio Vargas, em 2016, a frota mundial de elétricos era de 2 milhões e, em 2020, a previsão é de que chegue a 13 milhões; e, em 2030, a 140 milhões, ou 10% da frota total de carros.

Enquanto vários países caminham a passos largos no desenvolvimento de modelos elétricos e na criação de incentivos para torná-lo uma realidade, no Brasil o carro movido a eletricidade apenas engatinha e num ritmo bem lento. A esperança para mudar esse panorama está no aguardado anúncio do governo brasileiro de reduzir o IPI sobre o carro elétrico da taxa máxima de 25% para 7%, que ficará igual ao imposto atual dos carros tradicionais com motor 1.0. O desestímulo é tamanho que atualmente somente um veículo movido totalmente a eletricidade e vendido no Brasil: o BMW i3.

Por outro lado, o Brasil tem um grande potencial para o desenvolvimento de carros híbridos (movidos a eletricidade e a combustão), pois o etanol emite menos carbono, já que é uma energia renovável através da cana-de-açúcar, o que pode trazer benefícios à saúde, ao consumidor e ao meio ambiente. A Toyota apresentou recentemente o protótipo do primeiro veículo elétrico híbrido a etanol do mundo, o Prius flex. No segmento dos totalmente elétricos, a Nissan anunciou que vai lançar o Leaf 100% elétrico no Brasil em 2019 e que a bateria terá garantia total por oito anos.

De qualquer forma, separamos alguns pontos positivos e negativos dos carros elétricos.

Pontos positivos

  1. Funcionamento do motor é muito silencioso.
  2. Emissão zero de poluentes no funcionamento.
  3. Bom desempenho, com energia entregue imediatamente às rodas, sem desperdício.
  4. Energia elétrica geralmente é mais barata que os combustíveis (Estima-se que o custo por quilômetro para alimentar um elétrico é um terço do que se gasta com um carro a gasolina).
  5. Na teoria, a manutenção é mais barata, devido à simplicidade da sua mecânica.
  6. As baterias estão cada vez menores e mais eficientes (As novas bateriais de grafeno, uma das formas cristalinas do carbono, armazenam 45% mais energia e recarregam cinco vezes mais rápido que as atuais íons de lítio. Essas baterias devem estar em breve nos celulares e automóveis).

Pontos negativos

  1. O automóvel elétrico polui mais para ser produzido, sobretudo em função da bateria (mas os que defendem o carro elétrico alegam que isso é compensado ao longo da vida útil do carro).
  2. Alto custo das baterias e problemas para a sua reciclagem (as baterias duram em média dez anos).
  3. Alto custo de produção dos componentes eletrônicos e sistemas de recuperação de energia.
  4. Baixa autonomia, o que restringe o uso aos centros urbanos (a autonomia tem melhorado mais ainda fica muito longe da que é oferecida por modelos a combustão interna e os híbridos já são bem melhores nesse quesito).
  5. Alto preço dos carros elétricos.
  6. O uso em massa vai aumentar muito a demanda por energia elétrica e o ideal é que a demanda seja abastecida por fontes renováveis e não poluentes.
  7. Problemas na revenda, devido à vida relativamente curta da bateria (como o custo da bateria é alto, o valor dela chega a ser o mesmo valor do carro).
  8. Baixa resistência das baterias de íons de lítio a temperaturas extremas.

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