Brasil, a atrofia do turismo

Publicado Terça, 24 Abril 2018 18:26

Não é novidade para ninguém que o País acumula, atualmente, índices vergonhosos em tudo que depende de políticas públicas. No turismo não é diferente.

De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo - WTTC (sigla em inglês) o Brasil ocupou, em 2017, a vergonhosa 117ª posição em um ranking de 185 países.

O lamentável resultado é creditado à ausência de planejamento, ao distanciamento dos interesses públicos e às nomeações de cargos baseadas em coligações apartadas dos interesses do setor. Para não cansar o leitor com infindáveis indicadores em âmbito global, vamos nos ater a uma referência próxima a nós: “los hermanos” da América Latina. O turismo da Argentina, por exemplo, ficou na 87ª posição. No ranking, só estamos à frente da praticamente inexistente atividade turística da Venezuela, que vive uma triste crise político-econômica.

A Costa Rica, até então, pouco relevante sob o ponto de vista de número de visitantes, alavancou o setor e hoje o turismo contribui com quase 13 % do seu PIB. No México, que se encontra há anos luz do Brasil no turismo receptivo, o índice chegou a 16%, bem acima da média global, que atingiu 10,4%.

Quando comparamos o desempenho da Argentina na participação do turismo no PIB (Produto Interno Bruto), com o Brasil, aí é que nos dá tristeza, como brasileiros. Conforme os dados da WTTC, o setor trouxe uma contribuição à economia argentina de 3.7% (direta e 10.3% (indireta). A Argentina, muito mais distante de polos emissores internacionais e incomparavelmente menor que o Brasil em tamanho e atrativos, recebe quase 7 milhões de visitantes. Aqui, não passou de 2.9% (direta) e 7.9% (indireta).

O Brasil, há décadas, mantém os míseros seis milhões de visitantes internacionais. É praticamente um índice vegetativo, espontâneo, composto por viajantes que viriam de qualquer jeito ao Brasil, independentemente de campanhas e ações de políticas públicas.

O mais triste deste cenário é que as razões são claras e previsíveis. Na Argentina, diferentemente do Brasil, existe um planejamento claro e previsões calcadas em dados sólidos.

Descaso com o turismo

Outra razão, que nos envergonha, é o descaso dos governos sucessivos com a pasta do turismo, como se ela fosse de segundo plano no rol de prioridades de ações para o desenvolvimento. Os Ministros designados para o cargo não são do ramo. O Ministério do Turismo e os órgãos subsidiários são alojamentos temporários deste ou daquele aliado político, sem o menor vínculo profissional e responsabilidade técnica com a atividade passa longe.

Enquanto no Brasil, a população mal conhece quem está de plantão na pasta do turismo, ou pior, quando conhece é porque virou notícia policial na imprensa, na Argentina, o atual Ministro, Gustavo Santos, ocupa o cargo desde 2015. Sua formação acadêmica inclui Letras, Turismo, Gestão de Empresas e Políticas de Estado. Além do mais, é egresso de uma bem-sucedida carreira pública em Turismo durante oito anos, na província de Córdoba.

O Brasil sediou, recentemente, a WTM, a mais importante feira internacional de turismo da América Latina. O ministro do turismo da Argentina lá esteve com a missão de alavancar um bem projetado plano de ação para ampliar o número de brasileiros que viajam à Argentina.

O plano argentino prevê a descentralização de Buenos Aires como praticamente a única porta de entrada para o país. (72% dos brasileiros que visitam a Argentina Chegam pela capital portenha.)

A meta é fazer o viajante permanecer mais tempo na Argentina e também conhecer novos destinos. Isso é possível graças à integração entre aeroportos de Buenos Aires, Mendonza, Córdoba, Rosário e Bariloche.

Enquanto isso, permanecemos um país, privilegiado de recursos, a assistir, com vergonha e não sem uma pitada de inveja, a uma atrofia dos governos e ao desencantamento do setor produtivo.

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